Morre Enzo Barone, produtor de sucessos desde o cinema marginal até a publicidade

Enzo,à esquerda, em 2013, na época de sua entrada na produtora Volcano

Morreu neste domingo, 1 de março, em São Paulo, o produtor de cinema e de publicidade Enzo Barone, sócio da produtora Cinema Centro. Ele sofria de câncer há quatro anos.  Um dos grandes nomes do mercado de produção publicitária nas últimas décadas, Barone  acumulou centenas de prêmios nacionais e internacionais na área.

Cartaz de "Eros", de  Walter Hugo Khouri e com produção de Enzo Barone

Porém, antes da publicidade, Barone fez nome na indústria do cinema, tendo assinado desde roteiros até a produção e produção executiva de mais de uma dezena de longas-metragens, entre eles filmes do chamado cinema marginal dos anos 60/70, da "boca do lixo" e filmes eróticos nos anos 80. São dessa última fase, por meio da Enzo Barone Filmes, a produção de longas-metragens dirigidos pelo cineasta Walter Hugo Khouri, como “Eros, o Deus do Amor” (1981)  e “Amor Voraz” (1984). Ele também foi produtor de um longa de Sylvio Back (“A Guerra dos Pelados”, 1970).


Como um dos roteiristas de “Os Garotos Virgens de Ipanema”, pornochanchada dos anos 70, Enzo Barone viu sua obra ser vetada pela censura no Brasil, tendo sido porém liberada para exportação _ o filme virou um cult do gênero. Ainda, Barone foi roteirista de “O Cangaceiro Sem Deus (1969), que tinha  José Mojica Marins/Zé do Caixão no elenco; de “Cangaceiro Sanguinário” (1969) e de “No Rancho Fundo” (1971) –  todos estes foram filmes dirigidos pelo cineasta  Oswaldo de Oliveira.


A trajetória de profissionais da produção do cinema nacional da chamada “Boca do Lixo” serviu de inspiração para o seriado brasileiro “Magnifica 70” (2015-2018), produção da Conspiração para a HBO, que teve 3 temporadas, sob direção de Claudio Torres. Sobre este período, no qual o cinema nacional chegava a produzir mais de uma centena de filmes por ano, Enzo Barone declarou quando do lançamento da atração à revista Época: “Demorávamos dois meses para filmar e editar. Quando eles chegavam ao cinema, faziam um tremendo sucesso e se pagavam muito rápido. Foi um filão que a boca aproveitou,do mesmo jeito que o cinema faz hoje com as comédias”.

Série Retratos do Brasil, para a Fiat
Mas foi na produção publicitária, área para a qual Enzo Barone migrou nas décadas seguintes, que vieram as maiores realizações comerciais. Um dos principais projetos que Barone produziu foi a série “Retratos do Brasil”, com 24 filmes,  feita para a Fiat Automóveis no final dos anos 90. O projeto durou quatro anos e percorreu o País retratando cidades das mais diversas dimensões em inúmeras localizações. Os filmes mostravam as riquezas naturais e culturais do país, por meio  de sua história, economia, folclore, crenças e valores. O projeto contemplou a distribuição de vídeos para 5 mil escolas no Brasil e 5 mil no exterior.


Enzo Barone também produziu nos anos 90 a célebre campanha da Cerveja N.1, com João Gilberto para a Brahma, com show gravado no Teatro Municipal de São Paulo sob direção de Walter Salles Jr. .

 “O Enzo era um super empresário, e a garantia era ele mesmo. Se gostava muito de um roteiro, ele assumia e dizia:‘ Eu tenho certeza que você vai gostar do meu filme e se você não gostar, não paga”, afirma a consultora de negócios audiovisuais, Sonia Regina Piassa, que trabalhou como coordenadora de finalização de uma de suas produtoras nos anos 80/90.  “Tudo o que o Enzo fazia era muito lindo. Trabalhar pra ele era um prazer imenso. Ele transmitia isso pra gente, formou grandes diretores, alguns dos maiores passaram por ele”, relata Sonia, que destaca com carinho a ampla cultura em  gastronomia do produtor, que era exibida em generosos jantares que ele oferecia na própria casa aos funcionários.

"Hoje faleceu um cara fundamental na minha formação no cinema publicitário, o melhor produtor de cinema que conheci . #RIP Enzo Barone, você foi mestre", postou o diretor de cena Sergio Glasberg no seu perfil no Twitter.

Hangar, Felicittá, Volcano foram algumas das produtoras em que teve participação, além, claro, de se manter com a Cinema Centro.

Nascido em Luca, na Itália, Enzo Barone era naturalizado brasileiro e deixa quatro filhos.

No seu perfil no Facebook, o filho mais velho, Giancarlo Barone,  escreveu: “É com muita tristeza e uma dor enorme no coração e na alma que informo o falecimento de meu pai Enzo Barone. Além de ídolo, gentil, generoso, amável e sincero, um guerreiro que a 4 anos travava uma batalha árdua e diária contra um cancer. Como amava imensamente a vida, sua familia, seus amigos e seu trabalho, fez questão que todos soubessem que ele lutou ao maximo que pode e que jamais desistiu.
Pai, uma honra ser seu filho”.

Velório e enterro aconteceram no próprio domingo, dia 1, no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi.


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