Globo apostou na Copa no Brasil antes de Lula



Emissora comprou por US$ 330 milhões Copa da África e mundial de 2014 ainda sem saber a sede



A Rede Globo apostou alto na vinda do Mundial de 2014 ao Brasil antes mesmo do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conseguir fechar com a Fifa.
A emissora, poucos dias antes da Copa da Alemanha, em 2006, acertou com a entidade máxima do futebol mundial os valores para a aquisição dos direitos tanto do mundial da África (ali já confirmado) de 2010 quanto do torneio seguinte, de 2014, até então sem país-sede definido. E já assinou o cheque. A TV Globo se comprometeu com o pagamento de US$ 330 milhões – ou R$ 760 milhões, ao câmbio da época – pelos dois torneios. A conta foi quitada ao longo dos anos, até 2009.
Havia, no entanto, a ressalva: se o Brasil não fosse escolhido para sede da Copa, a Globo pagaria aproximadamente 10% menos – um desconto de US$ 30 milhões. No ano seguinte, em outubro de 2007, para o bem e para o mal, Lula e toda a comitiva brasileira conseguiriam confirmar a vinda do Mundial, numa história que todos já conhecem. A emissora, portanto, não obteve o seu desconto.
Hoje, só em cotas de patrocínio deste mundial, a Rede Globo atingiu faturamento de R$ 1,4 bilhão. Os demais patrocínios de torneios de futebol na emissora (Brasileirão, estaduais, Libertadores etc) rendem mais R$ 1,1 bilhão. Os valores dizem respeito às cotas, mas vale lembrar que em ano de Copa, todos os intervalos comerciais são mais valorizados, já que a audiência cresce como um todo.
Em 2010, ano da Copa da África do Sul, pela primeira vez, a Globo bateu a casa de R$ 10 bilhões de faturamento – cerca de 10%, provenientes do pacote de futebol daquele ano.  Um feito e tanto para qualquer empresa, e ainda maior para um grupo de mídia, o que a colocou entre as três maiores emissoras abertas do mundo (ao lado das duas americanas NBC e ABC).
A negociação com a Fifa em 2006 foi uma bola tão dentro da emissora, considerando que o Mundial viria mesmo para o País, que os executivos da Globo até se permitiram “dormir” no ponto. Logo depois do torneio na Alemanha, a Record surpreendeu a cúpula no Jardim Botânico ao adquirir por US$ 60 milhões – três vezes mais que o valor dos direitos da Olimpíada da China  - a exclusividade total dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.
Este sim, até aqui, foi o maior revés da TV Globo no campo esportivo de que se teve notícia neste século 21.

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