NBC desprezou seu telespectador nas Olimpíadas

Você está achando ruim a transmissão da nossa TV dos Jogos Olimpicos de Londres? Pois saiba que a NBC, uma das três grandes emissoras abertas do EUA e uma das quatro maiores emissoras privadas do mundo - ao lado da ABC, CBS e da brasileira TV Globo - está fazendo muito feio, apesar de ter investido uma fortuna nas Olimpíadas. Pagou US$ 1,1 bilhão para ter os Jogos Olímpicos de Londres com exclusividade em todas a mídias eletrônicas nos Estados Unidos. A rede pertencente à Comcast - gigante do cabo naquele País - está  gastando ainda mais US$ 100 milhões, para manter equipe de quase 2 mil profissionais na Grã-Bretanha, além de manter 700 funcionários dedicados ao evento para transmitir os jogos em 40 canais diferentes: internet, celular, além de seus vários canais de TV por assinatura nos Estados Unidos.



No entanto, no seu principal canal, a rede de TV aberta, optou por transmitir as principais competições envolvendo atletas americanos apenas em reprises no horário nobre. Nada ao vivo. Isso detonou uma onda inédita de reclamações nas redes sociais contra a atitude, que está com a hashtag
#NBCFail.
Em resumo: a rede investiu uma fábula - que segundo o Los Angeles Times, não se pagou com vendas de publiciade -, e está desagradando a massa de fãs de esporte para não alterar sua grade convencional de programação.
Em 2008, a NBC adotou estratégia semelhante para os Jogos dePequim, quando também teve direitos exclusivos. Após aquele evento, entrevistei um executivo da área de pesquisas da rede, David Woolfson, à época na emissora, que celebrava o fato de as pessoas terem acessando de forma inédita os diversos canais digitais da marca NBC: site, celular etc, obtendo todos os recordes de audiência convergente para as propriedades NBC.
Pelo jeito, a meta foi repetir o feito este ano em Londres. Só que se esqueceram de combinar com o telespectador do seu principal veículo: a rede aberta.




Muito mais do que representavam à época de Pequim 2008, agora em Londres as redes sociais desempenham o papel de disseminadoras de vitórias, derrotas e comentários dos internatuas sobre todos os resultados em tempo real. Os norte-americanos já não gostaram nada de ver no domingo a natação deixar o Ouro para os franceses no revezamento masculino 4x100. Pior, foi assistir mais de cinco horas depois de todo o mundo comentar e ver que reprises não garantem a vitória!
Hoje, segunda-feira, um jornalista do The Independent, residente nos EUA, teve sua conta suspensa no Twitter depois de publicar o e-mail de um executivo da NBC - a finalidade era dar o endereço para que se enviassem as reclamações.
Já nesta tarde, algumas entradas ao vivo aliviaram a ira dos telespectadores da NBC, mas eles ainda queriam mais eventos live e seguiram reclamando no Twitter. Fica aqui um exemplo de empresa que, ao olhar demais para as novas plataformas, se esquece de uma elemento importante quando se fala de esporte e transmissão de TV: o anseio do telespectador. 
Em tempo: a mesma NBC já garantiu todos os Jogos do COI (Comitê Olimpico Internacional) até 2020, por nada menos do que US$ 4,3 bilhões. A soma astronômica inclui todos os jogos, de verão (como os de Londres e Rio 2016) como os de Inverno. Tomara que a experiência de Londres lhe sirva de exemplo.
A título de comparação, aqui no Brasil a TV Globo perdeu os direitos para a Record, que num lance de mestre, triplicou a oferta de Pequim, desembolsando US$ 60 milhões e garantindo os Jogos de Londres com exclusividade. Daí, ainda faturou um extra ao repassar os direitos de TV por assinatura para SporTV, ESPN e BandSports, além do Terra, na internet, já que também tranmsite os jogos no seu R7.A Record não explorou os direitos para telefonia celular.

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