Tron – O Legado é balada eletrônica











Embora a função primordial do cinema seja, antes de mais nada, produzir bons filmes – mesmo que não sejam divertidos -, há momentos em que o deleite puro e simples é o que vale o ingresso. Tron – O Legado (Tron – The Legacy, 2010, de Joseph Kosinski) é um destes casos.
Trata-se da sequência de Tron – Uma Odissíea Eletrônica (Tron, 1982, de Steven Lisberger), o qual me influenciara quase nada, dado que daquele ano nada mais me restou na lembrança além da derrota da Seleção de Telê Santana, a melhor que pude ver jogar, diante da Itália, por causa de um vilão chamado Paolo Rossi.
Claro, e o primeiro Tron teve ainda o grande azar de estrear no mesmo ano de Blade Runner, de Ridley Scott, que o ofuscaria por quase três décadas. E também foi à época um filme incompreendido, embasbacados que estávamos com as casas de fliperama e os jogos de Atari, e ainda pouco ou quase nada familiarizados com linguagem de computadores, programas, algoritmos e estas coisas do mundo virtual das quais hoje qualquer garoto de 10 anos sabe do que se trata!
Tron estava tão à frente de seu tempo que só agora o entendemos. Ok, ainda parece mais animação do que filme, dadas as limitações dos efeitos especiais à época. Mas dê o desconto. E a estética, ora, era afinal os anos 80!
E ver agora esta sequência em cinema 3D é uma experiência e tanto. Mas só se você gostar de jogos, motos, velocidade e música eletrônica. Ah, sim, e tem também o mesmo Jeff Bridges da primeira versão.
Ele contracena consigo mesmo 30 anos mais jovem, um clone digital de si mesmo criado por ele ao adentrar o mundo virtual. Quando fez isso, lá em 82, esqueceu o filho criança do lado de fora, deixando para ele como herança uma megaempresa de tecnologia de ponta.de
O filho cresceu e, agora, vivido pelo audaz Garrett Hedlund, é um misto improvável de geek atlético, bonito, generoso e libertário, que volta à abandonada casa de jogos do pai para cair numa incrível aventura novamente dentro do.... fliperama!
Lá dentro tudo acontece, e os efeitos especiais século 21 realmente fazem a diferença. É pois aí que o filme sai da bidimensionalidade e vale a pena usar os óculos de aros de acrílico preto na sala de cinema, para adentrar as incríveis fases de um jogo bastante mortal.
Isto, ao lado do fantástico rejuvenescimento de Jeff Bridges (Ok, ele novinho ficou a cara do Morten Karket, do AHA nos anos 80!!!), é um dos pontos altos da história. Outro é o figurino espacial do elenco de apoio. Há também a presença da bela Olivia Wilde, a 13 de House, – que é mais do que elenco de apoio – rouba a cena, além de ter roubado o penteado da Melina da novela Passione (mas isto é outra crítica)! E há ainda um Michael Sheen despirocado numa caracterização à lá David Bowie na época do SpaceOdditty.
Imperdível é o duo francês de música eletrônica Daft Punk, que assina a trilha, dar uma canja na cabine de DJs numa das batalhas do jogo. Mais que technera, é a versão literal de eletronic body music, ou techno corpo a corpo, se é que você me entende...
Para este período de férias e pra sair da frente do computador, só entrando dentro dele. Vale a ida até Tron - o Legado. Game mode on!

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2 Comentários

Anônimo disse…
Não achei que os efeitos 3D tenham valido o ingresso mais caro.
Concordo sobre os efeitos visuais e a balada eletrônica.
Edianez Parente disse…
As cenas de desintegração dos jogadores em 2D não têm o mesmo impacto.